Movimento #CorpoLivre e a inclusão no mundo da moda

A autoaceitação e a representatividade seguem ganhando espaço nos desfiles, tendências e em todo o universo fashion. Afinal, a diversidade corporal e a luta contra a pressão estética mobilizam mais e mais mulheres em prol da inclusão fashion, o que de fato vem acontecendo. O manequim 38 continua sendo considerado o mais tradicional no mundo da moda, mas a cada dia enxerga-se a necessidade de representar outros padrões de beleza, como as modelos curvy e plus size, duas categorias que vão além das modelos tradicionais.

A modelo curvy é alguém que possui numeração de manequim entre 40 e 44, enquanto a modelo plus size utiliza manequim acima de 44. A presença cada vez maior dessas modelos em desfiles, revistas e campanhas publicitárias reforça o Movimento #CorpoLivre, fundado pela brasileira e comunicadora e ativista Alexandra Gurgel em 2015 para proporcionar mais visibilidade sobre a autoaceitação e a quebra dos padrões de beleza, além do combate à gordofobia — termo utilizado para designar preconceito contra pessoas gordas.

O Movimento #CorpoLivre foi inspirado no The Body Positive Movement, organização fundada em 1996 nos Estados Unidos pela norte-americana Connie Sobczak, que tem como principal objetivo promover o amor-próprio e combater distúrbios alimentares que se intensificam por conta das pressões estéticas e exigências irrealistas do corpo, principalmente com as mulheres.

Esse padrão de corpo e beleza traz muitas limitações sociais para diversas pessoas, como apontam diversas pesquisas sobre o tema: estudos mostram que é frequente a associação de pessoas obesas com falta de autocuidado, preguiça e até mesmo pouca higiene. O preconceito que cerca os indivíduos acima do peso traz maiores dificuldades para que os mesmos consigam emprego, por exemplo.

Por isso, o Movimento #CorpoLivre e todo o contexto de autoaceitação sobre nossos próprios corpos e outras características estéticas — tipo de cabelo, tamanho do nariz, etc. – se torna a cada dia mais importante para a construção de um mundo com cada vez menos padrões estéticos.

Além de Alexandra Gurgel, existem muitas porta-vozes no Brasil, como artistas, influencers e modelos que buscam ampliar a diversidade, incluindo no mundo fashion: Rita Carrera, Ju Romano, Manuh Rubi, Caio Revela, Thaís Carla, Luiza Junqueira, Carla Lemos e outros nomes importantes que debatem diariamente o tema e reforçam o combate aos padrões impostos pela sociedade.

Savage x Fenty e Lourdes Leon

Considerado o maior símbolo da diversidade no mundo fashion atual, o desfile Savage x Fenty, liderado pela cantora Rihanna, promove anualmente um show de inclusão em um desfile repleto de mulheres com diferentes tamanhos, formatos de corpo e tons de pele. Pessoas com nanismo, grávidas, transexuais e muitas outras modelos fora dos padrões estéticos transformam o Savage x Fenty em uma verdadeira revolução das passarelas.

Em sua terceira edição — lançada em setembro de 2021 na Amazon Prime Video —, o Savage x Fenty tem como desafio, segundo a própria Rihanna, “expandir a cada ano a inclusão”, afirmou a cantora, que atua como diretora criativa e executiva do projeto. Na última edição, um dos destaques ficou por conta da participação de Lourdes Leon, filha da cantora Madonna e apontada como um dos maiores ícones fashionistas da atualidade.

Curiosamente, a participação de Lourdes na Savage x Fenty foi apenas a segunda vez que a garota de 25 anos pisou em uma passarela — sua estreia havia sido em 2018, na apresentação da Gypsy Sport’s Sprin 2019, durante a Semana da Moda de Nova Iorque. Para o desfile de Rihanna, Lola, como também é conhecida, apostou em um lingerie preto, com botas altas e um impressionante colar de diamantes para completar o visual.

Lourdes na Savage x Fenty (Divulgação)

Fruto do relacionamento de Madonna com o personal trainer cubano Carlos Leon, Lourdes vem rompendo os padrões de beleza e promovendo a autoaceitação da mesma forma que a mãe: quebrando tradições. Em setembro do ano passado, durante sua estreia no MET Gala, Lourdes Leon exibiu pelos nas axilas, tatuagens e um ousado piercing no umbigo, atraindo olhares de todo o mundo.

Outro destaque recente de Lola foi protagonizando a capa da edição de setembro do ano passado da Vogue americana, ao lado de ícones como Bella Hadid e Anok Yai, estrelando a reportagem “Geração América: as modelos que estão mudando a indústria”. O fato é que, mesmo ainda jovem, Lourdes Leon já trouxe para si a responsabilidade de se tornar um símbolo da inclusão no mundo fashion, missão que a norte-americana vem desempenhando com total êxito.

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